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ANGIOGÊNESE E LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA. PAPEL DO ANTICORPO BEVACIZUMABE NO TRATAMENTO DAS LEUCEMIAS AGUDAS.
by dr. Celso Massumoto


        A recidiva da leucemia mielóide aguda está relacionada a alta mortalidade decorrente do tratamento quimioterápico. O processo de angiogênese pode contribuir para a sobrevivência das células neoplásicas e com isso a resistência aos quimioterápicos. O principal determinante deste processo é o fator endotelial de crescimento vascular, que promove a proliferação e a sobrevivência das células endoteliais. A expressão de VEGFmRNA está aumentando na LMA de novo e secundária a Síndrome Mielodisplásica (SMD).
        Estudos comparando a microvasculatura em LMA e medula óssea demonstra aumento da angiogênese na leucemia, com redução da densidade microvascular durante o período de aplasia decorrente da quimioterapia. Hussong e cols analisaram a densidade vascular da medula óssea de pacientes com LMA. Utilizando marcadores de células endoteliais os autores observaram um aumento do número de vasos/mm nos pacientes com LMA em comparação a controles. Além disso, empregando a transcriptase reversa da PCR, foi notado em células humanas de LMA um aumento da expressão do RNAm para o VEGF.
        Parece interessante o emprego de drogas antiangiogênicas associadas a quimioterapia em pacientes que falharam a um esquema quimioterápico prévio.
        O emprego de quimioterapia associado a drogas antiangiogênicas foi descrito por Karp e col. Os autores estudaram 48 pacientes com LMA em recidiva, ou refratários ou ainda secundários a SMD. Todos os pacientes deveriam ter ECOG 0-2. Os pacientes receberam a combinação de Ara-C na dose de 2g/m2 administrada em infusão contínua de 72h, seguido de mitoxantrone na dose de 40mg/m2 em infusão intravenosa de 30 minutos no dia 4, e após 12h do término do Ara-C, o bevacizumabe era administrado na dose de 10mg/kg no dia 8 por 90 minutos de infusão. Todos os pacientes receberam colírio com decadron durante a administração do Ara-C para prevenção de conjuntivite. Aciclovir foi dado preventivamente a esta população considerada de alto risco. Todos os pacientes desenvolveram neutropenia febril sendo associado antibiótico de largo espectro e quando necessário o emprego de antifúngico.
        A microvasculatura vascular foi reduzida significativamente no D8 da quimioterapia, sugerindo um papel importante do anticorpo monoclonal em inibir a proliferação vascular.