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ATUALIZAÇÃO EM SÍNDROME MIELODISPLÁSICA
by dr. Celso Massumoto


        A Síndrome Mielodisplásica (SMD) é considerada, atualmente, a neoplasia hematológica de maior incidência global e isto deve-se a fenômeno de envelhecimento da população mundial e ao emprego de esquemas quimioterápicos cada vez mais intensivos no tratamento de tumores sólidos.

ALTERAÇÕES MOLECULARES EM SMD

        Síndrome Mielodisplásica é uma doença clonal, mais comumente encontrada em pacientes idosos, caracterizada por citopenias no sangue periférico e por risco de transformação em leucemia aguda em 20% a 30% dos pacientes. Sabe-se que as alterações cromossômicas são os principais fatores preditores desta transformação. Alguns genes têm sido estudados, como o AML1, P15 e FLT3.

O GENE AML1

        É um gene com papel fundamental no desenvolvimento da hematopoese.

O GENE P15 – CDKN2B

        É considerado um gene supressor tumoral com atividade inibitória sobre a ciclina dependente de quinase-4.

O GENE FLT3

        O gene pertence à família dos receptores de tirosinoquinase classe III, sendo o gene mais frequentemente mutado em leucemia mielóide aguda (20%-30%).

TRATAMENTO

        O tratamento da SMD tem evoluído nos últimos anos com o surgimento de algumas novas drogas, assim como medicamentos para a quelação do ferro.

LENALIDOMIDA

        A lenalidomida é um análogo da talidomida, com potência bem superior e sem efeitos colaterais.

ERITROPOETINA

        Se o paciente não responde à EPO em 12 semanas de uso, provavelmente não haverá resposta; a dose a ser utilizada pode ser de 30.000 a 60.000 por semana até a máxima resposta.

AGENTES HIPOMETILANTES

        Um dos mecanismos responsáveis pela alteração do funcionamento dos genes supressores tumorais é o bloqueio epigenético. Os agentes hipometilantes vêm sendo empregados no tratamento das formas mais avançadas da doença. Azacitidina(AZA-C) foi a primeira droga a alterar a história natural da SMD Um outro agentes hipometilante é a decitabina. Os agentes hipometilantes constituem a opção terapêutica para casos de SMD de alto risco.

QUIMIOTERAPIA AGRESSIVA

        Idarrubicina associada ao citosina arabinosídeo.

TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA

        As indicações para o TMO em SMD são: cariótipo complexo; cariótipo com alterações do cromossomo 7; e subtipo AREB e pacientes de alto risco. Pacientes com boa condição clínica e idade <60 anos e tendo um dos indicadores acima, beneficiam-se do TMO.

TERAPIA IMUNOSSUPRESSORA

        Uso de globulina antitimocítica e/ou ciclosporina está indicado em: pacientes com haplótipo HLA-DR15; medula óssea hipocelular; e clone de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) detectado por citometria.

QUELAÇÃO DO FERRO

        Os pacientes que deveriam ser submetidos ao tratamento com quelação do ferro deveriam ser os de baixo risco, como anemia refratária, anemia refratária com sideroblastos em anel-ARSA, síndrome do 5q-e alguns casos de citopenia refratária com displasia de multilinhagens – CRDM.
        A quelação deve ser indicada quando o paciente já recebeu de 20 a 30 concentrados de glóbulos vermelhos ou cujo valor de ferritina seja superior a 1000µg/L.