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Transplante de Medula Óssea


by dr. Celso Massumoto

O conceito de altas doses de quimioterapia seguidas da infusão de células-tronco hematopoéticas foi incorporado ao contexto terapêutico com a finalidade de cura para uma série de neoplasias hematológicas e tumores sólidos. A utilização desta estratégia terapêutica é conhecida como transplante de medula óssea (TMO).

Existem três tipos de transplante: o alogênico, o autólogo e o singênico.

No transplante alogênico, a medula óssea é retirada de um doador previamente selecionado por testes de histocompatibilidade, normalmente identificado entre os familiares ou em bancos de medula óssea.

No transplante autólogo, a medula óssea ou as células tronco periféricas são retiradas do próprio paciente, criopreservadas e reinfundidas após o regime de condicionamento.

O transplante de medula óssea entre gêmeos univitelinos é denominado singênico. Mais recentemente, o transplante com células do cordão umbilical vem sendo empregado em alguns centros para o tratamento de crianças e adultos jovens, principalmente portadoras de leucemias agudas.

Com o aprimoramento do conhecimento imunológico, o transplante haploidentico vem ganhando espaço, principalmente com o emprego da ciclofosfamida pós transplante. O objetivo é promover o enxertamento das novas células no organismo do receptor, gerando uma mistura celular e a seguir, como as células enxertadas são mais resistentes, elas passam a proliferar e destruir as células tumorais remanescentes no receptor.

A indicação do transplante depende, em geral, da fase da doença em que os pacientes se encontram. A realização do transplante consiste na retirada da medula óssea da crista ilíaca posterior através de múltiplas aspirações por agulhas especiais para este procedimento ou pela retirada com máquinas de aférese (processadores celulares) das células tronco periféricas estimuladas. Estas células, após a infusão no receptor, vão circular na corrente sanguínea e por um mecanismo tropismo (mediado por citocinas) se alojam na medula óssea iniciando a reconstituição hematopoética do paciente. Estas células marcam-se fenotipicamente como CD34+ e tem uma alta capacidade proliferativa.

Durante duas a três semanas após a infusão da medula óssea, o paciente permanece em aplasia medular intensa (fase em que os leucócitos, glóbulos vermelhos e plaquetas permanecem baixos) enquanto não ocorre a enxertia. A neutropenia severa predispõe à infecções bacterianas, fúngicas, virais e protozoários. Após este período, os leucócitos começam a aparecer no sangue periférico, demonstrando a recuperação medular. Milhares de transplantes de medula óssea foram realizados nos últimos quinze anos e a maior experiência se concentra nas leucemias linfoblásticas, mielóide aguda, linfomas e anemia aplástica severa.